Comentário sobre o livro "Viciados em Mediocridade", de Frank Shaeffer
Sobretudo cabe descrever o que é ser medíocre em arte. Não é a singeleza ou simplicidade no conteúdo. Shaeffer critica a sua produção industrial. Se cada indivíduo reflete uma particularidade da infinita pessoa de Deus, como aceitar que na produção artística aconteçam tantas cópias, plágios e uma imensa falta de criatividade? A mediocridade aumenta justamente quando os recursos de criatividade aumentam. Não deveria ser assim. O autor "esmurra" o pensamento restritivo da arte. Para ele a divisão das artes em "sacra" e "secular" é algo ridículo. Pois argumenta que ela veio de Deus. Como poderia ser dividida? Deus é divisível?
Todos os pontos de cegueira, de não percepção dos textos sagrados geram frutos ruins devido à incorreta leitura da Bíblia. Isso é consenso geral. Mas ultimamente a "espiritualidade por resultados" toma conta do arraial cristão. Muitas igrejas são administradas e não pastoreadas. Parece que os manuais de administração substituíram a Bíblia. Shaeffer observa o pragmatismo [pg. 39] e chama-o de "justificativa utilitária" [37]. Para ele a presença de "bons resultados" na "evangelização" não justifica a presença de comportamentos medíocres quanto à produção artística.
Freud dizia ser o religioso alguém com mente pouco desenvolvida. A mediocridade da nossa realidade parece concordar com isso. O livro em questão trata apenas do que acontecia nos anos 80 nos EUA. Parece que muitas coisas permaneceram iguais. Haja visto a quantidade de "besteirol" que importamos de lá. O gospel emocion tem sido a última remessa. Já no Brasil, penso que tudo parece está medíocre. De quando em quando tapo os ouvidos por causa das músicas ridículas de muitos cristãos e não cristãos também. Estou no limite.
Ampliação ou estreitamento? As artes também apontam de forma tangível e intangível a pessoa de Deus. Por que restringir esse fato? Certa vez um de meus irmãos que não é cristão me perguntou "porque as músicas dos crentes são tão feias"? Fiquei sem resposta. Eu era um adolescente na época e não soube argumentar. Hoje, essa pergunta também seria terrível! Mas eu iria lhe mostrar a quantidade de artistas, cristãos, de ótima qualidade que tenho no meu PC!
Gosto da ilustração onde resume uma grande parte do livro. São dois tubos de pasta liberando "arte sacra" e "arte profana" [pg. 117], idéia combatida pelo autor ao longo do livro, pois corresponde a uma visão míope da realidade [pg. 49]. Entende ser ruim separar e sistematizar tudo! Pois, conceituar/classificar gera uma valoração em espiritual, monetária, inspirada, etc. Ele diz que a arte foge a esses padrões de conceituação. Schaeffer sente muito incômodo com tal fato. Ora, se a arte expressa o que se passa no homem, também pode apresentar a presença de Deus nos homens que a possuem. Isso é algo muito particular – íntimo, tanto para o artista quanto para o apreciador.
Uma espiritualidade verdadeira passa pelo crivo da realidade. Ser cristão é viver a realidade. É estar nos aspectos simples da vida e adotar uma postura em prol da vida, da ética e do bem-estar coletivo. A reclamação durante todo o livro é por causa da "castração" sofrida na produção artística ao longo do último século. Mais uma vez a imagem de Deus foi atingida por causa da ignorância. "Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus "[Mt. 22.29].
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