sábado, 16 de janeiro de 2010

Simplesmente Cristão – N. T. Wright


O livro é uma tentativa de relato poético que conta partes da história bíblica. Abre parênteses e explica fatos. Demonstra o anúncio do Velho Testamento, este apontando em todo o tempo o pacto que Deus fez com o homem [Abraão] e primou por cumprir. Ao longo do texto Wrigth fala de "ecos" e aponta o ressoar deles em Jesus através sua vida, morte, ressurreição e ensino. Afirma o autor, tê-lo escrito do final em direção ao início, visando como o homem deveria entender a verdadeira espiritualidade, o sonho da justiça perfeita, o convívio social eqüilátero e aguardar com esperança firme nas promessas de Deus toda a criação ter a beleza e perfeição restauradas.

Para Wrigth o objetivo inicial da obra redentora de Deus não é retirar o homem do mundo imperfeito e levá-lo a uma terra perfeita. É restaurar a criação. Logicamente devemos explicar bem tal fato, senão uma "Testemunha de Jeová" certamente nos chamaria de irmão e nos daria o endereço do "Salão do Reino". E Wright na tentativa de explicar o que é o Reino trabalha conceitos onde o "extra-mundo" é o desejo religioso, tais como o ascetismo monástico, neoplatonismo e outros. Tudo se resume em observar que o mundo é mal sem levar em conta que já fora perfeito, o "bom" das primeiras linhas de Gênesis. Assim, para ele o cristão é engrenagem nessa restauração da criação, apesar da primeira parte do livro tratar do fracasso da espiritualidade e da racionalidade humana e mostrar o que o homem é mero figurante nesse processo restaurador.

Profecias bíblicas demonstram que as "águas turbulentas" dariam lugar ao "concreto filosófico" demonstradas pelo autor: Sabes por que eu vim a ti? Agora, pois, tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia [Dn. 10.20]. Então uma nova forma se apresentaria – o ceticismo, em lugar do politeísmo aceito e até mesmo incentivado. No entanto, hoje, a primeira manifestação se apresenta com grande força através do relativismo da experiência religiosa. Wrigth demonstrou que as "fontes de águas" estão a romper com a razão sistematizada da filosofia que coisificou o homem na classificação de animal pensador ou pensador animal, sobretudo com as teorias Freudianas.

O autor demonstra a idéia de mundos sobrepostos e menciona que o lugar onde esses mundos se encontravam era o Templo de Jerusalém, especificamente na caixa de madeira contendo as tábuas da lei e diversos outros objetos sagrados ao longo do templo. Mas que Jesus abriu caminho para o homem atravessar e mudar o mundo humano, através do poder de Deus transformando o espaço dos homens semelhante ao de Deus, percebendo a realidade do Criador e refletindo a sua imagem. Já que a presença do homem também tem aspectos de criatividade.

O cristianismo deveria ser o banimento da imperfeição e injustiça, o vislumbre do momento em que O Verbo de Deus, Jesus Cristo, mostrará sua face em glória findando com o orgulho e todo propósito contrário ao Reino de Deus. E isso Wrihgth expõe, mas creio que o excesso de imagens e parênteses contidos no texto sirvam apenas para novos e veteranos na fé. Céticos ficariam cansados na primeira parte. Uma introdução mais concisa cairia bem melhor em Simplesmente Cristão, pois ao final do livro tive a impressão de ter lido três livros diferentes.

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